segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A dor, está na diferença...

Ontem vi um filme...aliás vi vários...todos eles deixaram muito a desejar...à excepção de um sobre o qual não recaíam quaisquer expecativas... PS- I love you..."mais uma comedia romantica, cor de rosa" pensei eu... e no final da tarde e da maratona cinematografica, foi eleito , talvez por tocar a minha realidade, o filme do dia.

Uma história simples, acerca de um casal jovem em que ele morre.

Há uma parte em que a filha, recem viuva, se vai lamentar à mãe e esta diz que compreende porque o marido também a havia abandonado...

Bem sei, que nenhum dos argumentistas alguma vez irá ler este blog, mas para todos os outros que viram o filme e nem pensaram duas vezes acerca daquela cena, gostaria de corrigir um pormenor...

Perder alguém definitivamente e para sempre não é sequer comparavel a um abandono consciente ou a um termino de uma relação. Não é.

Quando terminamos, uma relação, um namoro, um casamento, porque não resultou ou porque uma das partes assim o quis, por mais magoa que possa haver, a recuperação é rapida, muitas vezes cimentada por essa propria magoa ou ressentimento. Recordamos os piores momentos e construimos em cima deles a força para continuar.

Pode demorar, semanas, meses, mas a vida continua. Inconscientemente aquela pessoa ainda habita o nosso universo, ainda que nunca mais lhe ponhamos a vista em cima.

Quando a morte nos rouba alguem prematuramente...isso coloca a dor e o desespero numa liga inteiramente à parte de um desgosto de amor.

...As primeiras semanas...o nosso cerebro nem processa o facto. E todas as manhãs, todas sem excepção, quando abrimos os olhos e por milesimos de segundos, o primeiro pensamento é " meus deus que sonho horrivel...." e logo de seguida, quase em simultaneo, a realidade atinge-nos como um soco no estomago e aquela vaga de desespero cai-nos em cima sem dó nem piedade. Tira-nos o folego...logo ao acordar. E por isso há tanta gente que prefere não voltar a acordar na manha seguinte.

O prior são todos os momentos em que o telefone toca e por um apice, somos invadidos por aquela esperança de ser aquela pessoa...até que pensamos "estou louca"...
E é verdade...o reino da loucura entrelaça-se com o da sanidade na mesma realidade...e por vezes passamos para o lado de lá...

E todas as vezes que vamos na rua e no meio da multidão "encontramos" um rosto igual e ...zás outro soco no estomago...um soco de desespero, de saudade, de alegria e em seguida tristeza infindavel ao constatar a impossibilidade daquele evento.

Passam-se meses em que o cheiro dessa pessoa nos surpreende nos locais mais inesperados. Meses em que a impotencia e a simples consciencia de que nunca mais na vida iremos encontrar aquela pessoa....admitir que aquele ser, que nos era tão especial...simplesmente não caminha qualquer estrada neste planeta...
Isso sim, é uma dor lancinante, infindavel, acompanhada pelo desespero da impotencia e por uma restea de esperança cruel de que talvez..."amanhã"...ao acordar a vida volte ao normal e tudo não tenha passado de um pesadelo terrivel.

Portanto, perder alguem não é remotamente parecido com um desgosto amoroso....remotamente...


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Lovelly, but not for me!

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