quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Susceptível de ferir susceptibilidades

A epidemia de gravidas de 2009 está a sortir rebentos por estes meses... todas as minhas amigas estão a viver os primeiros dias de maternidade e algumas a fazer a contagem decrescente para o parto.

Esta tarde, por motivos profissionais acabei por estar com uma amiga de infancia que está a gozar a maternidade há cerca de 1 mês e meio.

Por mais que queira acreditar, sinto sempre uma ponta de "falsidade" no cliché: "não sei descrever...é um amor incondicional"... e vejo uma cerca incredulidade no olhar...o mesmo olhar que as pessoas fazem quando dizem: "sim...somos felizes....quer dizer... temos as nossas coisas enquanto casal....mas é normal..."
As reticências soam-me sempre a duvida...são as reticências e olhar de "querer convencer" ...não sei se o mundo interior ou exterior....essa é a questão....

Gostava de acreditar que é tudo imaginação minha e que todas as minhas amigas são felizes...mas não consigo....até porque a grande maioria não o são assumidamente.

E para ser ainda mais sincera...assusta-me pensar que um dia posso ter a vida que a grande maioria das minhas amigas vive...e que não invejo, em nadinha mesmo. A vida de acordar, levantar as crianças birrentas, levar ao colegio, ir trabalhar, receber telefonemas do infantario:" tá com uma ponta de febre!" " Tá com ranho" (essa é outra! Pagam-se balurdios e aos 37,5º de febre já obrigam a ir buscar a criança de emergencia... eu lembro-me de ir encharcada em penincilina para o infantario porque em 1970 e tal as maes não saiam a meio do dia de expediente para ir buscar as crianças...e...incrivel...eu sobrevivi!). Sair do trabalho ir buscar as crinaças, fazer jantar, dar banho, contar historia, adormecer....
Fins de semana com festinhas e actividades...

Pode parecer mau...mas aqui, no conforto do anonimato posso seguramente dizer que não queria essa vida para mim. Não quer dizer que rejeite a maternidade...mas no "formato" tradicional...no way!

E já agora, um dia faço um post, a indagar o porquê de estar subjacente na mente colectiva que é a mãe que faz tudo isto...a tarefa do pai é chegar a casa e dar o beijinho do boa noite....nunca entendi porque é que os pais não vão com as crinaças aos medicos, ao hospital, ao infantario e a todas as actividades...porque é que é sempre a mãe....uma amiga minha disse-me que o marido lhe disse que o tempo dele é mais bem pago que o dela...e eu penso: "se alguém um dia me dissesse tal coisa seria capaz de partir para a ignorancia"....

E ali...na sala com a minha amiga de infancia...a segurar a minha "sobrinha" linda ao colo...contemplei, o pijama, o ar de cansaço, de infelicidade, de resignação....e pensei: por favor Deus....nunca me coloques nesta posição...

8 comentários:

  1. acredito que com esses exemplo o desejo de "assentar" ser mulher casa e com filhos seja muito assustadora.

    Mas para te dar paz de espírito garanto-te que nem toda a gente vive assim. O meu pai sempre foi comigo aos médicos, aos hospitais, às urgências, às festas da escola, sempre me foi buscar e sempre me fez o almoço.

    Tem muito a ver com o homem que se encontra, se for um dos que acha que a mulher é que trata de tudo, está o caso mal parado, se for um que percebe que a mulher vale tanto como ele, é igualmente inteligente, trabalhadora, empreendedora e independente, adivinha-se uma vida feliz.

    Beijinho

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  2. Querida Flor (a minha mãe era para se chamar Flor, adoro!) obrigada pela mensagem de esperança. Devo contudo acrescentar que me separei o ano passado...já vivia junto com uma pessoa, tinha uma relação de 3 anos até ter pecebido que ele seria um desses pais e desses maridos que me arrepiam os pelos do pescoço....
    Eu acredito que existam excepções que confirmem a regra e fico feliz por ti que tiveste um pai presente...e espero honestamente que mais homens sigam os bons exemplos como este!
    Mas para já...confesso que ando bastante incredula quanto à qualidade do material masculino.
    Bjinho

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  3. Olha, cáca!!!! Escrevi um comentário maior que o post e o teu blog não me deixou publicar.

    Fica só a parte do fim que o resto foi para o espaço!


    "Se podemos ter tudo na vida? Talvez não. Mas podemos ter um bocadinho de cada coisa. Se eu pudesse mudar alguma coisa, se mudava? Talvez. Não foi um filho planeado. Não sei. Se foi um acidente? Não, minha linda, foi um presente e desde o momento em que o recebi, senti que a minha vida tinha mudado, mas de forma nenhuma tinha acabado. Continuo a usar saltos de 10 cms, a usar maquilhagem, a usar lingerie... Continuo a ser mulher. Só que uma mulher que também é mãe. Mas confesso que já dei comigo numa reuniao de staff com uma meia de cada cor. É que há alturas em que equilibrar todos os pratos da balança deixa qualquer gaija exaurida, no entanto, não é impossível.

    Se com isto quero dizer que deves ter filhos? Não. Tu deves fazer aquilo que quiseres. Apenas comentei para te dizer que nem todas a mães são menos mulheres se assim quiserem.

    (Se deves ter filhos? Posso dizer-te que agora que colou um 'macaco' na toalha de mesa e esteve quase a atravessar a sala em voo, eu própria estou a pensar dar um para adopção!)"

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  4. Eu que tinha descrito todas as sensações desde a chegada da maternidade... Pffffttt para o blogger...

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  5. MQP!!! M'lher que saudades tuas!!!
    Confesso-te que o teu projecto de gajo, ofereceu-me neste preciso momentoa primeira gargalhada da semana! Ainda tou aqui a teclar com um sorriso de imaginar o teu ar enquanto observavas a tecnica com que colava o "macaco" na toalha de mesa!! Nem consigo escrever sem desatar a rir! Muito bom!
    O problema é que eu não sei se tenho a sorte de me calhar uma gema preciosa como o teu ou um daqueles ranhosos que vejo na caixa do pingo doce aos guinchos e aos pontapés!

    O projecto filhos, é para mim um projecto a dois...pelo menos no momento da concepção....e até agora, não tenho sido muito eficaz no recrutamento para maridos e pais....
    Talvez o problema seja eu que não sei "fazer triagem".....

    Para ser uma pai como os maridos das minhas amigas, no thanks....

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  6. Nunca viste a "gema preciosa" sentada no chão do carro 10 minutos amuado porque não queria ir à escola. Sim, à porta do colégio. Sim, eu a considerar tirá-lo de lá pelos cabelos.

    Sim, porque nunca acredites numa mulher que diz que o seu rebento NUNCA fez uma birra. It's a big, fat lie!!!!

    O projecto da maternidade começa quase sempre como um projecto a dois. Eu, no entanto, confesso que durante anos acalentei a ideia de ser mãe solteira. Lá está, temos que ter cuidado com o que desejamos... Acho que sou egoista e queria o petiz só para mim. Depois, aos 22 fui diagnosticada como estéril e durante 8 anos acalentei a ideia de adoptar uma criança (ainda penso nisso). Depois, ao fim de um mês de deixar a pílula, engravidei. Sem aviso prévio, sem pensar nisso, simplesmente o milagre deu-se. Foi um projecto a dois. O pai foi pai a tempo inteiro e fez tanto como eu. Hoje, por n circunstâncias, sou mãe solteira (à excepção de 2 ou 3 semanas por ano). Nós podemos planear tudo direitinho, mas o sacana do destino é que manda nesta cena toda e nós somos apenas passageiros na boleia do Universo. Como dizia o meu obstetra quando eu lhe perguntei como raio estava grávida: "Como é que eu poderia adivinhar que os 5 ou 6 factores únicos que a poderiam fazer engravidar e que teriam que acontecer todos em simultâneo, seriam passiveis de acontecer no único mês em que não estava a tomar a pílula???"

    Era uma probabilidade de 0,001 mas aconteceu. O que sonhamos e planeamos pode acontecer mas eu tenho cá para mim que há coisas que têm mesmo que ser. A 'triagem' pode ser muito eficaz mas o que tiver que ser, quando tiver que ser... Isso acho que será incontornável.

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  7. Eu também tenho cá para mim, que o que tiver escrito será...mas não me impede que querer tomar as redeas da vida...
    Eu acho que nada acontece por acaso, tudo tem um proposito e talvez o meu proposito seja perceber que a felicidade depende apenas e de mim...e para o provar...ficarei sozinha pra sempre...

    Os meus projecto para filhos, começaram mal. Aos 19 anos, sindroma de cancro do colo do utero...dificilmente teria filhos...vivi anos a fio a pensar que aos 35 adoptaria uma criança...um dia vou ao medico e sou informada que existe uma janela dos 30 aos 35 em que seria optimo tentar engravidar...essa janela está a fechar-se...e eu não me conformo com a ideia de ser mae solteira...

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Lovelly, but not for me!

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